Mangalarga

Origem da Raça Mangalarga

O Mangalarga tem sua origem no extraordinário cavalo da Península Ibérica, que levado pelos mouros deu origem ao Andaluz e ao Álter.
Com a vinda da família real portuguesa para o Brasil, fugindo das tropas de Napoleão, vieram também os melhores exemplares da raça Álter, da Coudelaria Álter do Chão.

Por volta de 1780, Gabriel Francisco Junqueira, Barão de Alfenas, foi presenteado por D. João VI com um belo garanhão dessa Coudelaria. De posse deste animal, empregou-o em larga escala em suas matrizes (originadas dos primeiros animais trazidos pelos colonizadores). Desde o início de sua seleção sua maior preocupação foi em dotar seus animais de resistência, rusticidade e andamento cômodo. Esses animais assim selecionados logo se tornaram famosos em todo o sul de Minas Gerais.
Uns dos mais importantes compradores de animais do sul de Minas eram proprietários de uma fazenda situada em Bati dos Alferes (Teresópolis), no Estado do Rio – a Fazenda Mangalarga. Quando esses animais iam à corte despertavam grande interesse de quem queria comprar um cavalo de sela e logo perguntavam de onde eram esses cavalos? São da Fazenda Mangalarga.
Sendo assim o nome da fazenda ficou ligado à raça formada pelo Barão de Alfenas, que a ela deu-se o nome “Mangalarga”.

Anos depois da primeira seleção feita pelo Barão de Alfenas, um de seus sobrinhos, Francisco Antônio Junqueira, trocou as terras mineiras com sua geografia acidentada pelos campos cerrados paulistas da região de Orlândia e com isso muda-se também o método de seleção desses animais.
Agora com essa nova topografia a seleção dá-se através dos animais que mais se se destacavam quanto ao cômodo, agilidade e resistência na lida com o gado, nas viagens e principalmente nas estafantes e arriscadas caçadas ao veado. A comodidade de andamento sempre foi a maior preocupação da raça, mas de início havia mais de um tipo de andamento e agora na nova região a seleção foi feita por animais de marcha trotada. Para tanto fizeram-se alguns cruzamentos com raças exóticas e logo abandonados e absorvidos em favor da comodidade do andamento. Com isso surgiu um cavalo de maior porte e melhor conformação sem perder a sua característica principal a marcha trotada.

A marcha trotada é o principal item da seleção Mangalarga; ela é um andamento marchado com predominância de apoios em bípedes diagonais, além de não apresentar momentos de suspensão total. Com essa característica torna-se um animal extremamente cômodo, podendo percorrer grandes distâncias sem se desgastar e sem cansar o cavaleiro.

Pois é assim, mantendo até hoje essas características, que o Mangalarga chegou aos nossos dias. O animal ficou mais alto, mais lapidado, mais elegante, com melhores aprumos, com garupa mais forte, mas, sempre mantendo sua inigualável marcha trotada.
Por todos esses aspectos é que, o cavalo Mangalarga, chamado Cavalo de Sela Brasileiro, se tornou uma das melhores opções do mundo para longas cavalgadas, pois, além da comodidade e regularidade possui também uma enorme resistência a qual inclusive, vem sendo testado com sucesso no hipismo rural, no enduro de planilha e até nas provas de cavalo completo.